O PBCS (Performance Based Communication and Surveillance) está revolucionando as operações oceânicas no Atlântico Sul. Com a implementação de requisitos baseados em performance para comunicação (CPDLC) e vigilância (ADS-C), a separação lateral entre aeronaves sobre o oceano está sendo reduzida de 80 NM para 30 NM, permitindo rotas mais eficientes, economia de combustível e maior capacidade do espaço aéreo. Este guia explica o PBCS, os requisitos técnicos, o impacto nas operações entre Brasil e África/Europa e o cronograma de implementação no Atlântico Sul.
Neste artigo
- O que é PBCS e por que é necessário?
- RCP e RSP: os pilares do PBCS
- Separação oceânica: de 80 NM para 30 NM
- CPDLC e ADS-C: comunicação e vigilância oceânica
- Rotas oceânicas no Atlântico Sul (SAT)
- O papel do ACC Atlântico (SBAO)
- Requisitos de equipamento para operação oceânica
- Economia de combustível e benefícios operacionais
- Comparação com o NAT (Atlântico Norte)
- Perguntas frequentes
O que é PBCS e por que é necessário?
O PBCS (Performance Based Communication and Surveillance) é o framework da ICAO que define requisitos de performance para sistemas de comunicação e vigilância utilizados na separação de tráfego aéreo. Em vez de especificar equipamentos exatos, o PBCS define níveis de performance que os sistemas devem atingir, medidos em termos de tempo de transação, continuidade e disponibilidade.
Definição: PBCS (Performance Based Communication and Surveillance) é o conceito da ICAO que estabelece requisitos de performance mensuráveis para comunicação (RCP - Required Communication Performance) e vigilância (RSP - Required Surveillance Performance) utilizados como base para a separação de tráfego aéreo em espaço aéreo oceânico e remoto.
O PBCS é necessário porque as operações oceânicas tradicionais dependem de comunicação HF (Alta Frequência) e relatórios de posição verbal, que são lentos, imprecisos e sujeitos a erros. Com HF convencional, a separação lateral mínima entre aeronaves sobre o oceano é de 60 a 80 NM, porque o controlador não tem certeza da posição exata de cada aeronave entre os relatórios de posição.
Problema da separação convencional
| Aspecto | Operação convencional (HF) | Operação PBCS (CPDLC + ADS-C) |
|---|---|---|
| Comunicação | Voz HF (ruidosa, lenta) | CPDLC (datalink digital) |
| Relatório de posição | Verbal a cada waypoint | ADS-C automático (programável) |
| Tempo de comunicação | 3-5 minutos por mensagem | 10-30 segundos |
| Precisão da posição | Estimativa piloto | GNSS automático |
| Separação lateral mínima | 60-80 NM | 30 NM |
| Separação longitudinal mínima | 10 minutos | 5 minutos (50 NM) |
| Erro de comunicação | Frequente (ruído HF) | Raro (digital) |
A redução de separação é possível porque o PBCS garante que tanto a comunicação quanto a vigilância atendem a padrões de performance definidos matematicamente. Se o sistema falha em atingir esses padrões, a separação é automaticamente aumentada.
O conceito de PBCS foi formalizado pelo ICAO no Doc 9869 (Performance-Based Communication and Surveillance Manual) e está sendo implementado globalmente. O Atlântico Norte (NAT) foi o primeiro a adotar PBCS operacionalmente em 2015, seguido pelo Pacífico Norte. O Atlântico Sul está agora na fase de implementação plena, tornando-se o terceiro grande espaço aéreo oceânico a aplicar o conceito.
Para o Brasil, o PBCS é particularmente relevante porque o país gerencia uma das maiores FIRs oceânicas do mundo (FIR Atlântico, SBAO), que abrange milhões de quilômetros quadrados do Atlântico Sul entre a costa brasileira e o continente africano. Todas as rotas entre Brasil e Europa (via Atlântico) e Brasil e África cruzam esta FIR, tornando a eficiência do gerenciamento de tráfego nesta área um fator de impacto econômico significativo.
RCP e RSP: os pilares do PBCS
O PBCS é construído sobre dois conceitos complementares: RCP (Required Communication Performance) e RSP (Required Surveillance Performance). Juntos, eles definem os requisitos mínimos para que uma separação específica possa ser aplicada.
RCP (Required Communication Performance)
O RCP define o tempo máximo permitido para uma transação de comunicação entre o controlador e o piloto. Uma "transação" começa quando o controlador envia uma instrução e termina quando recebe confirmação de que o piloto recebeu e executará a instrução.
| Tipo RCP | Tempo de transação (T) | Continuidade | Aplicação |
|---|---|---|---|
| RCP 400 | 400 segundos (6,7 min) | 0,999 | Separação convencional (HF) |
| RCP 240 | 240 segundos (4 min) | 0,999 | Separação reduzida (CPDLC) |
| RCP 130 | 130 segundos (2,2 min) | 0,999 | Separação baseada em PBCS |
| RCP 60 | 60 segundos (1 min) | 0,999 | Operação avançada |
| RCP 10 | 10 segundos | 0,9999 | Radar/ADS-B (continental) |
Definição: RCP (Required Communication Performance) é a especificação ICAO que define o tempo máximo permitido para completar uma transação de comunicação operacional entre controlador e piloto. O tipo RCP determina o nível mínimo de separação que pode ser aplicado. Quanto menor o valor RCP, menor a separação possível.
RSP (Required Surveillance Performance)
O RSP define a frequência e a qualidade dos relatórios de posição que o ATC recebe. Com ADS-C, a aeronave transmite automaticamente sua posição ao ACC em intervalos programados.
| Tipo RSP | Intervalo de relatório | Precisão | Aplicação |
|---|---|---|---|
| RSP 400 | Relatório por waypoint (~20 min) | Estimativa piloto | Convencional |
| RSP 180 | 180 segundos (3 min) | GNSS | PBCS |
| RSP 100 | 100 segundos (~2 min) | GNSS | PBCS avançado |
Para aplicar a separação lateral de 30 NM no Atlântico Sul, são necessários pelo menos RCP 240 (comunicação via CPDLC) e RSP 180 (vigilância via ADS-C com relatórios a cada 3 minutos ou menos).
Monitoramento de conformidade RCP/RSP
O monitoramento contínuo de conformidade é um aspecto crítico do PBCS. O ACC Atlântico monitora em tempo real se cada aeronave está atingindo os parâmetros RCP e RSP declarados. Se uma aeronave falha em responder dentro do tempo RCP ou se os relatórios ADS-C atrasam além do intervalo RSP, o sistema alerta o controlador.
Quando a conformidade cai abaixo do limiar, o controlador tem três opções:
- Tentativa de reconexão — solicitar reconexão CPDLC e novo contrato ADS-C
- Aumento de separação — aplicar separação convencional (80 NM) para a aeronave afetada
- Transferência para HF — reverter para comunicação por voz HF como contingência
O monitoramento gera relatórios estatísticos que alimentam a base de dados da ICAO para análise global de performance dos sistemas. Essas estatísticas são usadas para avaliar se as metas de segurança do PBCS estão sendo atingidas e para identificar tendências de degradação em fabricantes ou modelos de equipamento específicos.
Separação oceânica: de 80 NM para 30 NM
A redução da separação lateral de 80 NM para 30 NM é a mudança operacional mais significativa do PBCS no Atlântico Sul. Essa redução permite que mais aeronaves voem em rotas otimizadas, economizando combustível e reduzindo emissões.
Evolução da separação no Atlântico Sul
| Período | Separação lateral | Separação longitudinal | Base |
|---|---|---|---|
| Até 2018 | 80 NM | 10 min (Mach) | HF + relatório posição |
| 2018-2024 | 55 NM | 10 min (Mach) | CPDLC + ADS-C inicial |
| 2024-2026 | 30 NM | 5 min (50 NM) | PBCS completo |
| Futuro (2028+) | 23 NM | 30 NM (longitudinal) | PBCS avançado |
O que 30 NM de separação significa na prática
Com 80 NM de separação lateral, duas aeronaves voando na mesma direção sobre o oceano precisavam estar a pelo menos 148 km de distância lateral. Isso significava que poucas rotas paralelas estavam disponíveis, e muitas aeronaves eram forçadas a voar em altitudes subótimas ou rotas indiretas.
Com 30 NM (55,6 km), é possível acomodar mais rotas paralelas no mesmo espaço. Isso permite que cada aeronave voe mais próximo da rota ótima considerando vento e distância.
| Cenário | Separação 80 NM | Separação 30 NM | Melhoria |
|---|---|---|---|
| Rotas paralelas disponíveis (largura 300 NM) | 3-4 rotas | 8-10 rotas | 2-3x mais |
| Aeronaves em altitude ótima | 30-40% | 70-80% | +40 pp |
| Desvio médio da rota ótima | 45 NM | 15 NM | -67% |
| Tempo extra por desvio | 12 min | 4 min | -67% |
CPDLC e ADS-C: comunicação e vigilância oceânica
O CPDLC (Controller-Pilot Data Link Communications) e o ADS-C (Automatic Dependent Surveillance-Contract) são as tecnologias que viabilizam o PBCS no ambiente oceânico.
CPDLC (Controller-Pilot Data Link Communications)
O CPDLC substitui a comunicação por voz HF por mensagens digitais de texto entre controlador e piloto. As mensagens são padronizadas e pré-definidas, reduzindo ambiguidade e erros de comunicação.
| Aspecto | Comunicação HF (voz) | CPDLC (datalink) |
|---|---|---|
| Meio | Rádio HF analógico | Datalink digital (satélite) |
| Formato | Voz livre | Mensagens padronizadas |
| Idioma | Inglês (com sotaque variado) | Texto padronizado ICAO |
| Confirmação | Readback verbal | Acknowledge digital (WILCO) |
| Registro | Gravação áudio | Log digital automático |
| Tempo por mensagem | 2-5 minutos | 10-30 segundos |
| Erro de comunicação | 5-10% (ruído, sotaque) | Menos de 0,1% |
| Disponibilidade | Variável (propagação HF) | 99,9% (satélite) |
O CPDLC opera através de satélites de comunicação aeronáutica (Inmarsat, Iridium) e utiliza o protocolo FANS (Future Air Navigation System). As aeronaves equipadas com FANS 1/A podem estabelecer conexão CPDLC com o ACC oceânico automaticamente ao entrar no espaço aéreo.
ADS-C (Automatic Dependent Surveillance-Contract)
O ADS-C é um sistema de vigilância em que o ACC estabelece um "contrato" com a aeronave, definindo a frequência e o conteúdo dos relatórios de posição automáticos. Diferente do ADS-B, que transmite para qualquer receptor por broadcast, o ADS-C transmite apenas para o ACC específico que solicitou o contrato.
| Tipo de contrato ADS-C | Descrição | Uso |
|---|---|---|
| Periodic | Relatórios automáticos em intervalo fixo (ex: 3 min) | Vigilância contínua |
| Event | Relatório ao atingir waypoint ou mudança de nível | Pontos de referência |
| Demand | Relatório sob demanda do ATC | Verificação pontual |
| Emergency | Relatório automático em caso de emergência | Segurança |
Para entender como o equipamento CPDLC e ADS-C é declarado no Item 18 do plano de voo, consulte o guia específico.
Procedimentos de contingência CPDLC
Quando o CPDLC falha durante um voo oceânico, o piloto deve seguir procedimentos de contingência publicados pelo ACC Atlântico:
- Tentativa de reconexão — reiniciar a conexão CPDLC até 3 vezes
- Notificação via HF — se CPDLC não reconecta, contatar ACC via HF
- Manter rota e nível — não alterar rota ou nível sem autorização ATC
- Relatórios de posição via HF — retomar relatórios verbais em cada waypoint
- Squawk 7600 — se perder também HF, aplicar procedimento NORCOM
A falha de CPDLC não é rara. Estatísticas do NAT mostram que aproximadamente 2% dos voos oceânicos experimentam desconexão temporária de CPDLC durante o cruzeiro. Na maioria dos casos, a reconexão automática restaura o serviço em minutos. Quando a reconexão falha, a comunicação HF é utilizada como backup, e a separação é aumentada para valores convencionais até que a conformidade PBCS seja restabelecida.
Rotas oceânicas no Atlântico Sul (SAT)
As rotas oceânicas no Atlântico Sul são organizadas pelo sistema SAT (South Atlantic Track), que define corredores de tráfego entre a América do Sul e a África/Europa. Diferente do NAT (North Atlantic Track), que publica rotas diárias, o SAT utiliza rotas fixas com flexibilidade de nível de voo.
Rotas SAT principais
| Rota | De | Para | Distância oceânica | Waypoints principais |
|---|---|---|---|---|
| SAT-1 (UN741) | SBRF (Recife) | GOOY (Dakar) | 1.600 NM | INTOL, TASIL, ORSOM |
| SAT-2 (UN873) | SBNT (Natal) | DRRN (Niamey) | 1.900 NM | AKUDA, RIDIS |
| SAT-3 (UL302) | SBRF (Recife) | LPLA (Açores) | 2.200 NM | BIDEV, SOXIG |
| SAT-4 (UN866) | SBGL (Galeão) | FACT (Cape Town) | 3.400 NM | MOREV, LUSOL |
Pontos de entrada e saída oceânicos
| Ponto | Localização | FIR de transição |
|---|---|---|
| INTOL | Costa de Recife | SBRF para SBAO (Atlântico) |
| AKUDA | Costa de Natal | SBRF para SBAO |
| BIDEV | Nordeste Brasil | SBAO para FIR Santa Maria |
| MOREV | Sudeste Brasil | SBCW para SBAO |
| TASIL | Meio do Atlântico | SBAO (ponto de transferência) |
Tráfego no Atlântico Sul
| Indicador | Valor (2025) | Tendência |
|---|---|---|
| Voos diários SAT-1 (Recife-Dakar) | 15-20 | Crescente |
| Voos diários SAT-2 (Natal-Niamey) | 8-12 | Estável |
| Voos diários SAT-3 (Recife-Açores/Europa) | 25-35 | Crescente |
| Voos diários SAT-4 (RJ-Cape Town) | 5-8 | Estável |
| Total de voos oceânicos/dia | 50-75 | +5%/ano |
O papel do ACC Atlântico (SBAO)
O ACC Atlântico (SBAO) é o centro de controle de área responsável pelo espaço aéreo oceânico do Atlântico Sul sob jurisdição brasileira. É um dos maiores ACCs do mundo em extensão territorial, cobrindo milhões de quilômetros quadrados de oceano.
Jurisdição do ACC Atlântico
| FIR | Cobertura | Limites verticais |
|---|---|---|
| FIR Atlântico (SBAO) | Oceano Atlântico entre Brasil e África | FL245 a ilimitado |
| Parte oceânica do FIR Recife | Costa até limite oceânico | SFC a FL245 |
| Parte oceânica do FIR Curitiba | Sudeste oceânico | SFC a ilimitado |
O SBAO opera 24 horas com controladores especializados em operações oceânicas. A comunicação primária é via CPDLC (para aeronaves equipadas) e HF (para aeronaves sem datalink). O ACC utiliza ADS-C para vigilância e coordena com os ACCs da África (Dakar, Johannesburgo) e Europa (Santa Maria) para transferência de tráfego.
Definição: ACC (Area Control Centre) Atlântico é o centro de controle de área do DECEA responsável pela provisão de serviço de controle de tráfego aéreo no espaço aéreo oceânico do Atlântico Sul sob jurisdição brasileira. O ACC Atlântico gerencia o tráfego em rotas SAT e coordena separação com ACCs adjacentes.
Modernização do SBAO para PBCS
O ACC Atlântico passou por modernização significativa para suportar o PBCS:
| Sistema | Upgrade | Impacto |
|---|---|---|
| CPDLC | Integração com FANS 1/A e FANS 2/B | Comunicação digital plena |
| ADS-C | Processamento automático de contratos | Vigilância contínua |
| Conflito automático | Detecção de conflitos com separação reduzida | Segurança |
| Coordenação | Interface digital com ACCs adjacentes | Transferência otimizada |
| Monitoramento RCP/RSP | Verificação contínua de performance | Compliance PBCS |
Requisitos de equipamento para operação oceânica
A operação oceânica no Atlântico Sul com PBCS exige equipamentos específicos que vão além dos requisitos de voo IFR continental.
Equipamentos obrigatórios para PBCS
| Equipamento | Requisito PBCS | Especificação |
|---|---|---|
| FANS 1/A ou FANS 2/B | Obrigatório | CPDLC + ADS-C integrados |
| GNSS duplo | Obrigatório | Duas fontes independentes |
| Relógio atômico (FMS) | Recomendado | Precisão temporal para Mach Number |
| HF (Alta Frequência) | Obrigatório (backup) | Comunicação de voz oceânica |
| SATCOM voz | Recomendado | Backup de comunicação |
| ELT 406 MHz | Obrigatório | Busca e salvamento oceânico |
| Life rafts | Obrigatório | RBAC 121 para overwater |
| Transponder Mode S | Obrigatório | Para áreas com cobertura radar/ADS-B |
Declaração no plano de voo
Para operação PBCS no Atlântico Sul, o plano de voo ICAO deve incluir:
| Campo | Código | Significado |
|---|---|---|
| Item 10a | SGHJ2 | Standard + GNSS + HF + CPDLC FANS |
| Item 10b | SEB1D1 | Mode S + ADS-B OUT + ADS-C FANS |
| Item 18 SUR/ | RSP180 | Required Surveillance Performance 180 |
| Item 18 COM/ | RCP240 | Required Communication Performance 240 |
| Item 18 DAT/ | FANS1APDLC | FANS 1/A CPDLC capability |
| Item 18 NAV/ | RNAV5 GNSS | Capacidade de navegação |
Para entender melhor as classes de espaço aéreo que se aplicam sobre o oceano, consulte o artigo dedicado.
Economia de combustível e benefícios operacionais
A redução de separação oceânica via PBCS traz benefícios operacionais e econômicos significativos para operadores que voam rotas transatlânticas.
Economia por redução de desvio lateral
Com separação de 80 NM, muitas aeronaves eram deslocadas da rota ótima de vento para acomodar o tráfego. Com 30 NM, mais aeronaves voam na rota ideal.
| Indicador | Separação 80 NM | Separação 30 NM | Economia |
|---|---|---|---|
| Desvio médio lateral | 40-60 NM | 10-20 NM | 30-40 NM |
| Combustível extra por desvio (B777) | 800-1.200 kg | 200-400 kg | 600-800 kg |
| Tempo extra | 8-15 min | 2-5 min | 6-10 min |
| CO2 por voo (extra) | 2.500-3.800 kg | 630-1.260 kg | 1.870-2.540 kg |
Economia por altitude ótima
Com mais rotas paralelas disponíveis, mais aeronaves conseguem voar na altitude ótima de cruzeiro (altitude com menor consumo específico para o peso atual).
| Aspecto | Antes PBCS | Com PBCS | Benefício |
|---|---|---|---|
| Aeronaves em FL ótimo | 35% | 75% | +40 pp |
| Consumo extra por FL subótimo | 2-4% | 0,5-1% | -1,5 a 3 pp |
| Economia anual estimada (SAT) | N/A | US$ 50+ milhões | Significativa |
Benefícios de segurança
| Aspecto | Melhoria |
|---|---|
| Monitoramento de posição | Contínuo (ADS-C) vs intermitente (relatório verbal) |
| Detecção de desvio | Automática vs manual |
| Comunicação | Digital e registrada vs verbal e sujeita a erro |
| Resposta a emergência | Posição exata conhecida vs estimativa |
| Coordenação entre ACCs | Digital e instantânea vs telefone |
Para entender como a inteligência artificial está transformando a aviação, incluindo operações oceânicas, consulte o artigo dedicado.
Comparação com o NAT (Atlântico Norte)
O Atlântico Norte (NAT) é o espaço aéreo oceânico mais movimentado do mundo e serviu como referência para a implementação do PBCS no Atlântico Sul. Comparar as duas regiões ajuda a entender o estágio de evolução do SAT.
Comparativo NAT vs SAT
| Aspecto | NAT (Atlântico Norte) | SAT (Atlântico Sul) |
|---|---|---|
| Voos diários | 1.200-1.500 | 50-75 |
| Rotas | Tracks diários (OTS) | Rotas fixas (SAT) |
| PBCS implementado | 2015 | 2024-2026 |
| Separação mínima lateral | 25 NM (2020) | 30 NM (2026) |
| Separação mínima longitudinal | 5 min | 5 min |
| Cobertura ADS-B oceânica | Parcial (Aireon) | Mínima |
| CPDLC penetração | 95%+ | 80% |
| Free Route | Em estudo | Em estudo |
Lições do NAT aplicadas ao SAT
- Monitoramento de compliance RCP/RSP — o NAT mostrou que aeronaves podem degradar temporariamente abaixo dos requisitos, exigindo monitoramento contínuo
- Treinamento ATC — controladores oceânicos precisam de treinamento específico em gerenciamento de PBCS e degradação
- Procedimentos de contingência — quando CPDLC ou ADS-C falham, a separação deve ser aumentada imediatamente
- Coordenação entre Estados — o SAT envolve Brasil, Senegal, África do Sul, Portugal e outros, exigindo acordos bilaterais
- Evolução progressiva — o NAT levou 10 anos para ir de 80 NM para 25 NM; o SAT pode ser mais rápido aproveitando a experiência
O futuro: Space-Based ADS-B
A próxima evolução é o ADS-B via satélite (Space-Based ADS-B), como o sistema Aireon operando nos satélites Iridium NEXT. Essa tecnologia fornece cobertura ADS-B global, incluindo oceanos, permitindo separação tipo radar (3-5 NM) sobre o oceano. O Aireon já está operacional no NAT e em estudo para o SAT.
| Tecnologia | Cobertura | Separação possível | Status SAT |
|---|---|---|---|
| HF + relatório verbal | Global (limitada) | 80 NM | Legacy |
| CPDLC + ADS-C (PBCS) | Via satélite | 30 NM | Implementando |
| Space-Based ADS-B (Aireon) | Global (satélite) | 15 NM | Em avaliação |
| ADS-B + CPDLC + ADS-C | Combinado | 5-10 NM | Futuro (2030+) |
Perguntas frequentes
O que é PBCS?
PBCS (Performance Based Communication and Surveillance) é o framework da ICAO que define requisitos de performance para comunicação e vigilância em espaço aéreo oceânico e remoto. Em vez de especificar equipamentos, o PBCS define níveis de performance (RCP e RSP) que os sistemas devem atingir para permitir determinada separação entre aeronaves.
Qual a separação mínima no Atlântico Sul atualmente?
Com a implementação do PBCS, a separação lateral mínima no Atlântico Sul está sendo reduzida para 30 NM para aeronaves que atendem aos requisitos RCP 240 e RSP 180. Aeronaves sem CPDLC e ADS-C continuam com separação convencional de 60-80 NM.
Que equipamento é necessário para PBCS?
É necessário FANS 1/A ou FANS 2/B (que integra CPDLC e ADS-C), GNSS duplo, HF como backup e ELT 406 MHz. O plano de voo deve declarar RCP 240 e RSP 180 no Item 18. Sem esses equipamentos, a aeronave pode operar no Atlântico Sul, mas com separação convencional maior.
O PBCS afeta a aviação geral?
Na prática, o PBCS afeta principalmente aeronaves de transporte aéreo e aviação executiva de longo alcance que operam rotas transatlânticas. Aeronaves de aviação geral raramente cruzam o Atlântico. Porém, jatos executivos que voam Brasil-Europa ou Brasil-África se beneficiam diretamente da separação reduzida.
Qual a diferença entre ADS-B e ADS-C?
O ADS-B (Broadcast) transmite posição para qualquer receptor dentro do alcance, sendo usado principalmente em espaço aéreo continental. O ADS-C (Contract) transmite posição apenas para o ACC que estabeleceu um contrato com a aeronave, sendo usado em espaço aéreo oceânico onde não há receptores ADS-B em solo.
O HF ainda é necessário com CPDLC?
Sim. O HF é mantido como backup obrigatório para comunicação de voz em caso de falha do CPDLC ou do sistema de satélite. Embora o CPDLC seja o meio primário de comunicação no PBCS, a regulamentação exige HF operacional como contingência.
Quando o PBCS estará totalmente implementado no Atlântico Sul?
A implementação está em curso entre 2024 e 2026, com a separação de 30 NM sendo aplicada progressivamente conforme mais aeronaves e ACCs atendem aos requisitos. A previsão é que a implementação completa (todos os ACCs, todas as rotas SAT) esteja finalizada até meados de 2026.
O PBCS reduz o custo das passagens aéreas?
Indiretamente, sim. A economia de combustível (estimada em US$ 50+ milhões anuais para o SAT) reduz o custo operacional por passageiro. Além disso, a maior capacidade do espaço aéreo permite mais voos diretos, potencialmente aumentando a competição e reduzindo preços em rotas transatlânticas.
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Fontes: ICAO Doc 9869 (PBCS Manual), ICAO Doc 4444 (PANS-ATM), ICAO Doc 10037 (GANP), DECEA — ACC Atlântico (SBAO), SAT Implementation Plan (ICAO SAM/CAR), IATA — Oceanic Operations Manual, Eurocontrol — NAT PBCS Guidance.
Última atualização: Fevereiro 2026. Conteúdo revisado por piloto comercial ANAC com habilitação IFR.
