As aerovias são as rotas padronizadas que formam a espinha dorsal da navegação IFR no Brasil. Publicadas pelo DECEA nas cartas de rota (ERC — En Route Chart), elas definem corredores aéreos com altitudes mínimas de segurança, auxílios de navegação e waypoints que garantem separação de tráfego e obstáculos. Este guia detalha o sistema de aerovias brasileiro, incluindo nomenclatura, altitudes mínimas (MEA, MOCA, MRA, MORA), como ler as cartas ERC e as principais rotas troncais que conectam os grandes centros do país.
Neste artigo
- O que são aerovias?
- Nomenclatura das aerovias brasileiras
- Altitudes mínimas: MEA, MOCA, MRA e MORA
- Como ler as cartas ERC (En Route Charts)
- Aerovias superiores versus aerovias inferiores
- Principais rotas troncais brasileiras
- Roteamento direto (DCT) e RNAV
- Planejamento de rota IFR com aerovias
- Restrições e condicionamentos de aerovias
- Erros comuns no uso de aerovias
- Perguntas frequentes
O que são aerovias?
Aerovias são rotas aéreas definidas por fixos de posição (waypoints) e auxílios à navegação, publicadas nas cartas de rota aeronáuticas e regulamentadas pelo DECEA. Elas funcionam como "estradas" no espaço aéreo, garantindo que aeronaves IFR trafeguem por corredores protegidos com altitudes mínimas de segurança e separação lateral entre rotas paralelas.
Definição: Aerovia é uma rota aérea controlada, definida por pontos fixos de navegação, com largura padronizada (tipicamente 8 NM para cada lado do eixo central, totalizando 16 NM), altitudes mínimas de operação publicadas e disponível para uso de tráfego aéreo IFR conforme autorização do controle de tráfego aéreo.
O sistema de aerovias brasileiro é gerenciado pelo DECEA (Departamento de Controle do Espaço Aéreo) e publicado na AIP Brasil, Seção ENR 3 (Rotas ATS). As aerovias estão representadas graficamente nas cartas ERC (En Route Charts) e são atualizadas a cada ciclo AIRAC (28 dias).
Finalidade das aerovias
As aerovias servem a três propósitos fundamentais:
- Separação de tráfego: canalizar o fluxo de aeronaves em corredores definidos para facilitar a separação lateral e vertical pelo ATC.
- Segurança de obstáculos: garantir altitudes mínimas que proporcionem separação vertical sobre terreno e obstáculos ao longo de toda a rota.
- Eficiência operacional: padronizar as rotas entre origens e destinos comuns, otimizando o uso do espaço aéreo.
A regra semicircular para altitudes de cruzeiro aplica-se diretamente às aerovias, determinando o nível de voo correto com base na proa magnética do segmento de aerovia que a aeronave está voando.
Nomenclatura das aerovias brasileiras
As aerovias brasileiras seguem o sistema de designação ICAO, utilizando letras-prefixo que indicam o tipo de aerovia e números que identificam a rota específica.
Prefixos de aerovias
| Prefixo | Tipo | Faixa de altitude | Descrição |
|---|---|---|---|
| UW | Upper (superior) + W | FL245 ou acima | Aerovia superior designação W |
| UZ | Upper (superior) + Z | FL245 ou acima | Aerovia superior designação Z |
| UM | Upper (superior) + M | FL245 ou acima | Aerovia superior designação M |
| UA | Upper (superior) + A | FL245 ou acima | Aerovia superior designação A |
| W | Lower (inferior) | Até FL245 | Aerovia inferior designação W |
| Z | Lower (inferior) | Até FL245 | Aerovia inferior designação Z |
| T | RNAV (inferior) | Até FL245 | Aerovia RNAV inferior |
| UT | RNAV (superior) | FL245 ou acima | Aerovia RNAV superior |
Exemplo de designação
A aerovia UW-9 é uma aerovia superior (U) do tipo W, número 9. Ela conecta pontos no eixo São Paulo-Brasília e é uma das rotas mais movimentadas do Brasil. A correspondente inferior, W-9, pode operar nos mesmos segmentos, porém até FL245.
Convenção de numeração
O número da aerovia é atribuído pelo DECEA e não segue uma lógica geográfica obrigatória, embora haja tendências históricas (números baixos para rotas mais antigas). O piloto não precisa memorizar a numeração, mas deve saber localizar as aerovias nas cartas ERC.
Aerovias RNAV (T/UT)
As aerovias com prefixo T (inferior) e UT (superior) são definidas exclusivamente por waypoints GNSS, sem dependência de radioauxílios convencionais. Elas requerem que a aeronave possua equipamento RNAV aprovado. A tendência no Brasil é a expansão progressiva de aerovias RNAV em substituição às convencionais.
Altitudes mínimas: MEA, MOCA, MRA e MORA
Cada segmento de aerovia possui altitudes mínimas publicadas que garantem a segurança da operação. O piloto deve compreender cada conceito para selecionar a altitude correta de cruzeiro.
MEA — Minimum En Route Altitude
A MEA (Altitude Mínima em Rota) é a altitude mais baixa em que uma aeronave pode voar em um segmento de aerovia com garantia de: recepção adequada dos auxílios de navegação que definem a aerovia e separação vertical mínima de 1.000 pés sobre obstáculos (2.000 pés em terreno montanhoso acima de 5.000 ft MSL) dentro da faixa de proteção da aerovia.
Definição: A MEA (Minimum En Route Altitude) é a altitude mínima publicada para um segmento de aerovia que garante recepção de auxílios à navegação e separação sobre obstáculos conforme os critérios ICAO/DECEA. É a altitude de referência primária para seleção do nível de cruzeiro em uma aerovia.
MOCA — Minimum Obstacle Clearance Altitude
A MOCA (Altitude Mínima de Separação de Obstáculos) garante separação vertical sobre obstáculos, mas não garante recepção adequada de auxílios de navegação em toda a extensão do segmento. A recepção de VOR é garantida apenas dentro de 22 NM do auxílio. A MOCA é sempre igual ou menor que a MEA.
MRA — Minimum Reception Altitude
A MRA (Altitude Mínima de Recepção) é a altitude mínima necessária para receber o sinal de um auxílio à navegação que define um fixo de interseção de aerovias. A MRA é publicada quando a altitude de recepção é superior à MEA do segmento.
MORA — Minimum Off-Route Altitude
A MORA (Altitude Mínima Fora de Rota) proporciona separação de obstáculos dentro de uma grade retangular nas cartas ERC, oferecendo referência de altitude segura para voos fora de aerovias (DCT). Os valores de MORA aparecem nas grades quadriculadas das cartas ERC.
Comparação de altitudes mínimas
| Altitude | Garante separação de obstáculos | Garante recepção de auxílio | Uso principal |
|---|---|---|---|
| MEA | Sim | Sim (total do segmento) | Referência primária em aerovia |
| MOCA | Sim | Parcial (22 NM do VOR) | Operação com GPS em nível inferior |
| MRA | Não aplicável | Sim (fixo específico) | Identificação de interseção |
| MORA | Sim (grade) | Não aplicável | Voo fora de aerovia (DCT) |
Quando voar abaixo da MEA?
Em condições normais, a aeronave deve voar na MEA ou acima. Entretanto, se a aeronave possui navegação GNSS aprovada e o piloto não depende dos auxílios convencionais para navegação, pode ser possível operar na MOCA (que é menor que a MEA) desde que autorizado pelo ATC e que a separação de obstáculos esteja garantida. Essa prática é regulamentada pelo DECEA e depende das capacidades da aeronave.
Como ler as cartas ERC (En Route Charts)
As cartas ERC (En Route Charts) são os documentos de referência para navegação em rota IFR. Publicadas pelo DECEA como parte da AIP Brasil, elas apresentam todas as aerovias, fixos, auxílios de navegação, altitudes mínimas e informações de comunicação necessárias para a fase de cruzeiro do voo.
Cobertura das cartas ERC brasileiras
O espaço aéreo brasileiro é coberto por múltiplas folhas de cartas ERC, divididas por região geográfica e por faixa de altitude:
| Tipo de carta | Designação | Cobertura de altitude |
|---|---|---|
| ERC-L (Lower) | ERC-L1, ERC-L2, etc. | Superfície até FL245 |
| ERC-H (Higher) | ERC-H1, ERC-H2, etc. | FL245 e acima |
Elementos de uma carta ERC
As cartas ERC contêm os seguintes elementos gráficos e textuais:
| Elemento | Representação | Informação |
|---|---|---|
| Aerovia | Linha com designação | Rota entre fixos |
| Fixo (waypoint) | Triângulo | Ponto de referência na aerovia |
| VOR | Hexágono ou rosa dos ventos | Auxílio de navegação VHF |
| NDB | Círculo com ponto | Auxílio de navegação MF |
| DME | Retângulo | Equipamento de medição de distância |
| MEA | Número ao lado do segmento | Altitude mínima em rota |
| MOCA | Número com asterisco | Altitude mínima de separação de obstáculos |
| Distância | Número entre fixos | Milhas náuticas entre fixos |
| Curso magnético | Seta com graus | Direção do segmento |
| Limites FIR | Linha tracejada espessa | Fronteira entre Regiões de Informação de Voo |
| MORA | Número na grade | Altitude mínima fora de rota |
Leitura de um segmento de aerovia
Para ler um segmento de aerovia na carta ERC, o piloto identifica:
- O nome da aerovia (por exemplo, UW-9)
- Os dois fixos que delimitam o segmento
- O curso magnético de um fixo ao outro
- A distância em NM entre os fixos
- A MEA do segmento (e MOCA se publicada)
- Quaisquer restrições especiais (direção obrigatória, condicionamentos)
Escalas e projeções
As cartas ERC utilizam a projeção cônica conforme de Lambert, que preserva ângulos e é adequada para navegação em latitudes médias. A escala varia conforme a folha, sendo tipicamente 1:2.000.000 para cartas de rota inferiores. O piloto deve sempre consultar a escala impressa na carta ao estimar distâncias visuais.
Aerovias superiores versus aerovias inferiores
O espaço aéreo em rota é dividido em duas camadas: espaço aéreo inferior (até FL245) e espaço aéreo superior (FL245 e acima). Cada camada possui seu próprio conjunto de aerovias.
Espaço aéreo inferior
| Característica | Descrição |
|---|---|
| Faixa de altitude | Da altitude de transição até FL245 |
| Prefixo de aerovia | W, Z, T (sem "U") |
| Classe do espaço aéreo | Variável (A, C, D, E conforme publicado) |
| Separação vertical | 1.000 pés (RVSM não se aplica abaixo de FL290) |
| Carta de referência | ERC-L (Lower) |
Espaço aéreo superior
| Característica | Descrição |
|---|---|
| Faixa de altitude | FL245 e acima |
| Prefixo de aerovia | UW, UZ, UM, UA, UT |
| Classe do espaço aéreo | Classe A (apenas IFR) |
| Separação vertical | 1.000 pés (RVSM entre FL290 e FL410) |
| Carta de referência | ERC-H (Higher) |
Transição entre camadas
Quando uma aeronave sobe de uma aerovia inferior para a correspondente superior (por exemplo, de W-9 para UW-9), a transição ocorre no FL245. O piloto deve estar atento à classe do espaço aéreo, que acima de FL245 é Classe A no Brasil, permitindo apenas operações IFR. Para compreender melhor as classes de espaço aéreo brasileiro e suas regras, consulte o artigo dedicado.
RVSM — Reduced Vertical Separation Minimum
No espaço aéreo superior brasileiro, entre FL290 e FL410, aplica-se o RVSM, que reduz a separação vertical de 2.000 pés para 1.000 pés. Para operar em RVSM, a aeronave deve possuir aprovação específica (altímetros de alta precisão, transponder Modo C/S, autopilot). A aprovação RVSM é indicada na letra W do campo 10 do plano de voo.
Principais rotas troncais brasileiras
O Brasil possui rotas troncais que conectam os grandes centros econômicos e os principais aeroportos. Conhecer essas rotas é essencial para o planejamento de voo eficiente.
Eixo São Paulo — Brasília
A rota entre São Paulo (SBGR/SBSP) e Brasília (SBBR) é uma das mais movimentadas da América do Sul. Utiliza aerovias como UW-9 e suas variantes, com MEAs relativamente moderadas sobre o planalto central.
Eixo São Paulo — Rio de Janeiro
A chamada "Ponte Aérea" conecta SBSP (Congonhas) a SBRJ (Santos Dumont). Embora a distância seja curta (aproximadamente 190 NM), o tráfego é intenso e os procedimentos de saída e chegada são complexos devido à proximidade de múltiplos aeródromos (SBGR, SBSP, SBMT, SBRJ, SBGL).
Eixo São Paulo — Nordeste
As rotas para o nordeste saem de São Paulo em direção norte, passando por fixos no interior de Minas Gerais e Bahia. As aerovias UW e UZ são comuns nesse eixo, com MEAs elevadas ao sobrevoar a Serra do Espinhaço.
Eixo São Paulo — Sul
As rotas para o sul conectam São Paulo a Curitiba (SBCT), Florianópolis (SBFL) e Porto Alegre (SBPA). As aerovias nesse eixo geralmente possuem MEAs mais baixas, pois o terreno ao longo do litoral e planalto paranaense é menos elevado que no sentido norte.
Principais rotas troncais — resumo
| Rota | Aeroportos | Distância aprox. (NM) | Aerovias comuns | MEA típica |
|---|---|---|---|---|
| SP — BSB | SBGR/SBSP — SBBR | 430 | UW-9 variantes | FL100-FL140 |
| SP — RJ | SBSP — SBRJ | 190 | W/Z variantes | 5.000-8.000 ft |
| SP — SSA | SBGR — SBSV | 770 | UW variantes | FL110-FL160 |
| SP — POA | SBGR — SBPA | 500 | UW/UZ variantes | FL080-FL120 |
| SP — REC | SBGR — SBRF | 1.200 | UW variantes | FL120-FL180 |
| BSB — MAO | SBBR — SBEG | 1.100 | UW/UZ variantes | FL060-FL100 |
Roteamento direto (DCT) e RNAV
Nem todo voo IFR precisa seguir aerovias publicadas. O roteamento direto (DCT — Direct) permite voar em linha reta entre waypoints sem seguir uma aerovia definida.
Quando usar DCT
O roteamento DCT pode ser utilizado quando:
- O espaço aéreo permite operação fora de aerovias
- A aeronave possui equipamento RNAV aprovado
- O ATC autoriza a rota direta
- A separação de obstáculos é garantida (MORA ou altitude mínima de grade)
Requisitos para DCT
| Requisito | Descrição |
|---|---|
| Equipamento | RNAV (GPS) aprovado para a operação pretendida |
| PBN | Especificação PBN adequada (tipicamente RNAV 5 ou superior) |
| Altitude | Acima da MORA da grade ou altitude mínima autorizada |
| Autorização ATC | Necessária em espaço aéreo controlado |
Formato no plano de voo
No plano de voo ICAO, o roteamento direto é indicado pela abreviatura DCT entre dois waypoints:
FIXO1 DCT FIXO2 DCT FIXO3
Se toda a rota é direta, o campo 15 conterá apenas uma sequência de fixos separados por DCT. As SIDs e STARs permanecem necessárias nos terminais, mesmo que a rota em rota seja DCT.
Vantagens do DCT
A principal vantagem do roteamento direto é a redução de distância percorrida, resultando em menor consumo de combustível e tempo de voo. Em rotas longas, a economia pode ser significativa. Por exemplo, um voo SBGR-SBBR via aerovias pode percorrer 450 NM, enquanto via DCT pode reduzir para 410 NM.
Limitações do DCT
O ATC pode não autorizar DCT em áreas de alta densidade de tráfego, áreas militares ou espaços aéreos com restrições. Além disso, o piloto deve verificar se a MORA na grade da carta ERC garante separação de obstáculos ao longo de toda a rota direta, uma vez que não há MEA publicada fora de aerovias.
Planejamento de rota IFR com aerovias
O planejamento de uma rota IFR envolve a seleção das aerovias mais adequadas entre o aeródromo de origem e o destino, considerando distância, altitudes mínimas, condições meteorológicas e restrições operacionais.
Etapas do planejamento de rota
- Determinar origem e destino: Identificar os aeródromos (ICAO codes) e consultar SIDs e STARs disponíveis.
- Selecionar aerovias: Escolher as aerovias que conectam os fixos de transição das SIDs e STARs, minimizando a distância total.
- Verificar MEAs: Confirmar que as MEAs dos segmentos de aerovia são compatíveis com o desempenho da aeronave e com a regra semicircular para o nível de cruzeiro planejado.
- Calcular combustível: Estimar o consumo de combustível com base na distância, altitude, vento e reservas regulamentares.
- Verificar restrições: Consultar NOTAMs e informações AIP sobre restrições de aerovias, áreas proibidas e condicionadas.
- Montar o campo 15: Preencher a rota no plano de voo ICAO com a sequência SID + aerovias + transições + STAR.
Ferramentas de planejamento
O planejamento de rota pode ser realizado manualmente com cartas ERC impressas ou digitais, ou com auxílio de ferramentas automatizadas que calculam a rota ótima considerando aerovias disponíveis, distância, MEAs e ventos.
Alternativas de rota
Para cada voo IFR, o piloto deve considerar ao menos uma rota alternativa caso a rota primária não esteja disponível (por exemplo, por atividade militar ou condições meteorológicas). A rota alternativa pode utilizar aerovias diferentes ou roteamento DCT.
Influência do vento na seleção de rota
A seleção entre rotas alternativas deve considerar o vento em altitude. Duas aerovias com distâncias semelhantes podem resultar em tempos de voo e consumos de combustível muito diferentes. O piloto deve consultar as cartas de vento (SIGWX e cartas de vento de altitude) disponíveis no REDEMET para avaliar:
- Componente de vento de proa/cauda: Uma rota mais longa com vento de cauda pode ser mais rápida que uma rota curta com vento de proa.
- Turbulência associada: Correntes de jato e zonas de cisalhamento devem ser consideradas na seleção da altitude de cruzeiro e da rota.
- Consumo de combustível: O vento de proa aumenta significativamente o consumo, impactando o cálculo de reservas.
Exemplo prático de planejamento
Considere um voo SBSP (Congonhas) para SBRF (Recife). O piloto deve:
- Consultar SIDs disponíveis em SBSP para a pista em uso
- Identificar as transições que conectam às aerovias rumo ao nordeste
- Selecionar a aerovia principal (por exemplo, segmentos de UW) verificando MEAs em cada segmento
- Verificar se algum segmento está condicionado por área militar
- Confirmar a STAR disponível em SBRF para a direção de chegada
- Calcular a distância total somando os segmentos de aerovia
- Aplicar a regra semicircular para determinar o nível de cruzeiro correto
A distância por aerovias pode ser aproximadamente 1.200 NM, enquanto via DCT poderia ser reduzida para 1.080 NM, resultando em economia de combustível significativa para operadores que possuem equipamento RNAV aprovado.
Restrições e condicionamentos de aerovias
Nem todas as aerovias estão disponíveis em tempo integral ou em ambas as direções. O piloto deve estar atento às restrições publicadas.
Tipos de restrições
| Tipo | Descrição | Exemplo |
|---|---|---|
| Direção obrigatória | Aerovia com fluxo unidirecional | "UW-15: somente sentido norte entre FL290 e FL410" |
| Horário | Aerovia disponível apenas em determinados horários | "W-5: ativa de 0600 a 2200 UTC" |
| Condicionamento militar | Segmento indisponível quando área militar está ativa | "UZ-3: condicionado à EAM-X" |
| Altitude mínima especial | MEA elevada em segmento específico | "MEA FL180 entre FIXO1 e FIXO2" |
| NOTAM | Restrição temporária publicada via NOTAM | Fechamento de segmento por exercício militar |
CDR — Conditional Routes
O Brasil utiliza o conceito de CDR (Conditional Routes), que são segmentos de aerovia com disponibilidade condicionada. Existem três categorias:
- CDR 1: Permanentemente disponíveis para planejamento de voo
- CDR 2: Disponíveis para planejamento conforme notificação prévia (geralmente no ATFM/ROTA)
- CDR 3: Não disponíveis para planejamento, usadas apenas em tempo real pelo ATC
Consulta de restrições
As restrições de aerovias são publicadas na AIP Brasil (ENR 3), nos NOTAMs e nos informativos de tráfego (AIC, NOTAM-C). O piloto deve consultar todas essas fontes durante o planejamento de voo.
Áreas proibidas, restritas e perigosas
Ao longo das aerovias brasileiras, existem áreas de espaço aéreo com restrições especiais que podem afetar a navegação:
| Tipo de área | Sigla | Restrição | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Área proibida | SBP | Voo proibido permanentemente | SBP-1 (Brasília, área presidencial) |
| Área restrita | SBR | Voo restrito quando ativa | SBR-41 (CLA, São Luís) |
| Área perigosa | SBD | Risco para aeronaves quando ativa | SBD-22 (exercícios militares) |
| Área condicionada | EAM | Espaço aéreo militar condicionado | EAM ativadas por NOTAM |
O piloto deve verificar no briefing pré-voo se alguma área proibida, restrita ou perigosa afeta a rota planejada. Quando uma área restrita está ativa, o ATC pode redirecionar a aeronave por uma rota alternativa, resultando em aumento de distância e consumo de combustível.
FIRs brasileiras e transferência de controle
O espaço aéreo brasileiro é dividido em Regiões de Informação de Voo (FIRs), e a transferência entre FIRs ocorre em pontos específicos das aerovias. As principais FIRs brasileiras são: Amazônica (SBAZ), Recife (SBRE), Brasília (SBBS), Curitiba (SBCW) e Atlântico (SBAO). Ao cruzar a fronteira entre FIRs, o piloto deve estabelecer contato com o novo ACC (Area Control Center) na frequência publicada na carta ERC.
Erros comuns no uso de aerovias
O uso incorreto de aerovias pode resultar em violações regulamentares, ineficiência operacional ou situações de insegurança.
Voar abaixo da MEA sem autorização
Operar abaixo da MEA sem autorização específica do ATC é proibido. A MEA garante separação de obstáculos e recepção de auxílios. O piloto deve solicitar autorização para operar abaixo da MEA apenas em circunstâncias excepcionais e com consciência da separação de obstáculos.
Não verificar CDRs e restrições
Planejar uma rota por uma aerovia CDR2 ou CDR3 sem verificar sua disponibilidade pode resultar em rejeição do plano de voo ou desvio em rota. O piloto deve consultar as informações de tráfego antes de incluir aerovias condicionais na rota.
Ignorar a regra semicircular
Selecionar um nível de cruzeiro que não corresponde à regra semicircular para a proa do segmento de aerovia é um erro regulamentar. A proa magnética de cada segmento pode variar, e o piloto deve verificar se o nível de cruzeiro atende à regra semicircular ao longo de toda a rota.
Usar carta ERC desatualizada
Cartas ERC vencidas podem conter aerovias extintas, fixos renomeados ou MEAs incorretas. O piloto deve sempre utilizar cartas do ciclo AIRAC vigente. Aplicativos de navegação com base de dados atualizada automaticamente eliminam esse risco.
Não considerar o vento na seleção de rota
Duas rotas com distância semelhante podem ter tempos de voo muito diferentes dependendo do vento em altitude. O piloto deve consultar as cartas de vento (SIGWX, cartas de vento de altitude) durante o planejamento para selecionar a rota com melhor componente de vento.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre aerovia superior e inferior?
Aerovias inferiores (W, Z, T) operam da altitude de transição até FL245. Aerovias superiores (UW, UZ, UM, UT) operam de FL245 para cima. O espaço aéreo superior é Classe A no Brasil, restrito a operações IFR.
O que significa MEA em uma aerovia?
MEA (Minimum En Route Altitude) é a altitude mínima de um segmento de aerovia que garante separação sobre obstáculos e recepção adequada de auxílios à navegação. O piloto não pode voar abaixo da MEA sem autorização do ATC.
Posso voar fora de aerovias?
Sim, mediante roteamento DCT (direto) e com equipamento RNAV aprovado. A aeronave deve manter-se acima da MORA publicada na grade da carta ERC e ter autorização do ATC em espaço aéreo controlado.
O que é MOCA e quando posso usá-la?
MOCA (Minimum Obstacle Clearance Altitude) garante separação de obstáculos mas não recepção total de auxílios. Pode ser utilizada quando a aeronave possui GPS/RNAV para navegação e não depende de auxílios convencionais, desde que autorizada pelo ATC.
Como sei se uma aerovia tem restrição de direção?
As restrições de direção são publicadas nas cartas ERC e na AIP Brasil (ENR 3). Na carta, uma seta indica o sentido obrigatório. No texto AIP, a restrição é descrita explicitamente, incluindo faixas de altitude afetadas.
O que são aerovias RNAV (T/UT)?
Aerovias RNAV são definidas exclusivamente por waypoints GNSS, sem dependência de VOR ou NDB. Requerem equipamento RNAV aprovado e base de dados de navegação atualizada. São designadas com prefixo T (inferior) ou UT (superior).
Quantas aerovias existem no Brasil?
O Brasil possui centenas de aerovias publicadas, cobrindo todo o território nacional e conexões com países vizinhos. O número exato varia a cada ciclo AIRAC com a publicação de novas aerovias e a extinção de outras.
O que acontece se uma aerovia está fechada por NOTAM?
Se uma aerovia está fechada por NOTAM (por exemplo, exercício militar), o piloto deve utilizar uma rota alternativa ou solicitar autorização ao ATC. Voar por uma aerovia fechada é uma violação grave. Os NOTAMs devem ser consultados no briefing pré-voo.
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Fontes: AIP Brasil — ENR 3 (Rotas ATS); ICAO Anexo 11 — Serviços de Tráfego Aéreo; ICA 100-12 DECEA — Regras do Ar; ICA 100-37 DECEA — Serviços de Tráfego Aéreo; Cartas ERC publicadas pelo DECEA (AISWEB).
Última atualização: Fevereiro 2026. Conteúdo revisado por piloto comercial ANAC com habilitação IFR.
