SIGMET e AIRMET são avisos meteorológicos emitidos para alertar pilotos e despachantes sobre condições de tempo significativo que afetam a segurança do voo. Enquanto o METAR descreve as condições atuais em um aeródromo e o TAF faz a previsão localizada, o SIGMET e o AIRMET cobrem áreas extensas dentro de uma FIR (Região de Informação de Voo) e representam fenômenos que podem impactar qualquer aeronave em rota. Saber interpretar esses avisos é fundamental para um planejamento de voo seguro e para a tomada de decisão em tempo real durante o voo.
Neste artigo
- O que são SIGMET e AIRMET?
- Quais os tipos de SIGMET?
- Como decodificar um SIGMET?
- O que é AIRMET e quando é emitido?
- Quais são as FIRs brasileiras e seus MWOs?
- Como SIGMET e AIRMET impactam o planejamento de voo?
- Exemplos reais de SIGMET no espaço aéreo brasileiro
- Onde consultar SIGMET e AIRMET?
- Diferenças entre SIGMET, AIRMET, METAR e TAF
- Perguntas frequentes
O que são SIGMET e AIRMET?
SIGMET (Significant Meteorological Information) e AIRMET (Airmen's Meteorological Information) são mensagens meteorológicas de aviso emitidas por um MWO (Meteorological Watch Office) para informar sobre condições atmosféricas perigosas que afetam a segurança das operações aéreas dentro de uma FIR.
Definição: SIGMET é um aviso de tempo significativo que alerta sobre fenômenos meteorológicos severos capazes de afetar a segurança de todas as aeronaves em voo, incluindo turbulência severa, formação de gelo severo, tempestades de granizo, áreas de cumulonimbus (CB), cinzas vulcânicas e ciclones tropicais.
A diferença fundamental entre SIGMET e AIRMET está na severidade dos fenômenos reportados. O SIGMET cobre condições perigosas para todos os tipos de aeronave, inclusive jatos comerciais de grande porte. O AIRMET, por outro lado, trata de condições que são perigosas principalmente para aeronaves leves e operações VFR, como turbulência moderada, formação de gelo moderado e visibilidade reduzida em áreas extensas.
A base regulatória para esses avisos vem do ICAO Annex 3 (Meteorological Service for International Air Navigation) e, no Brasil, é implementada pelo DECEA através das ICA 105-17 e MCA 105-11.
Quem emite SIGMET e AIRMET no Brasil?
No Brasil, a responsabilidade pela emissão de SIGMET e AIRMET é do CGNA (Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea) em conjunto com os CMV (Centros Meteorológicos de Vigilância), que funcionam como MWOs dentro de cada FIR. O sistema REDEMET (Rede de Meteorologia do Comando da Aeronáutica) é o canal primário de distribuição dessas informações para pilotos e operadores.
Por que SIGMET e AIRMET são importantes?
Esses avisos complementam o METAR e o TAF ao fornecer informação sobre fenômenos em altitude e em áreas extensas que podem não estar refletidos nas observações de superfície. Um METAR pode indicar condições VMC no aeródromo de destino, mas um SIGMET vigente na rota pode indicar áreas de CB embarcado que representam perigo real para a navegação.
Quais os tipos de SIGMET?
O ICAO define três tipos distintos de SIGMET, cada um com um designador específico que indica o tipo de fenômeno reportado. Essa classificação é essencial para entender a natureza do perigo e tomar as ações corretas.
SIGMET WS — Fenômenos meteorológicos
O SIGMET do tipo WS é o mais comum e cobre fenômenos meteorológicos severos que não envolvem ciclones tropicais nem cinzas vulcânicas. Os fenômenos reportados incluem:
| Fenômeno | Código | Descrição |
|---|---|---|
| Turbulência severa | SEV TURB | Turbulência que causa variações bruscas de atitude e altitude |
| Formação de gelo severo | SEV ICE | Acúmulo rápido de gelo nas superfícies da aeronave |
| Formação de gelo severo com chuva congelante | SEV ICE (FZRA) | Gelo severo causado por chuva que congela ao contato |
| Tempestade de granizo | GR | Granizo que pode causar dano estrutural |
| Tempestade de areia/poeira | SS/DS | Redução severa de visibilidade por areia ou poeira |
| Cumulonimbus | OBSC TS, EMBD TS, FRQ TS, SQL TS | Áreas de trovoada com diferentes distribuições |
| Linha de instabilidade | SQL TS | Linha de cumulonimbus organizada |
O SIGMET WS tem validade máxima de 4 horas e pode ser emitido até 4 horas antes do início previsto do fenômeno.
SIGMET WC — Ciclones tropicais
O SIGMET WC é emitido quando um ciclone tropical com ventos sustentados de superfície acima de 34 nós (63 km/h) afeta ou vai afetar a FIR. Embora ciclones tropicais sejam raros no Brasil, o Atlântico Sul já registrou eventos como o furacão Catarina em 2004, que atingiu Santa Catarina.
O SIGMET WC inclui informações adicionais como a posição do centro do ciclone, velocidade e direção de deslocamento, e pressão central estimada. Sua validade máxima é de 6 horas.
SIGMET WV — Cinzas vulcânicas
O SIGMET WV é emitido quando cinzas vulcânicas são detectadas na atmosfera dentro de uma FIR. Cinzas vulcânicas são extremamente perigosas para aeronaves porque os fragmentos de rocha derretidos podem danificar turbinas, abrasionar para-brisas e contaminar sistemas pitot-estáticos.
No contexto brasileiro, embora não existam vulcões ativos no território nacional, cinzas vulcânicas de erupções na Cordilheira dos Andes (Chile, Argentina) podem ser transportadas pelos ventos até o espaço aéreo brasileiro, especialmente nas FIRs de Curitiba e Atlântico. O SIGMET WV também tem validade máxima de 6 horas.
| Tipo de SIGMET | Designador | Validade máxima | Fenômeno principal |
|---|---|---|---|
| Meteorológico | WS | 4 horas | Turbulência, gelo, CB, granizo |
| Ciclone tropical | WC | 6 horas | Ciclone com ventos > 34 kt |
| Cinzas vulcânicas | WV | 6 horas | Nuvem de cinzas na atmosfera |
Como decodificar um SIGMET?
A decodificação de um SIGMET segue uma estrutura padronizada pelo ICAO. Cada campo tem uma posição e formato definidos, o que permite a interpretação sistemática da mensagem.
Estrutura básica de um SIGMET
A estrutura geral de um SIGMET segue a sequência abaixo:
- Identificação da FIR — Nome da FIR e identificador ICAO
- Tipo e número sequencial — WS, WC ou WV seguido de número (ex: SIGMET 3)
- Período de validade — Data/hora de início e fim em UTC
- MWO emissor — Identificação do centro meteorológico
- Fenômeno — Descrição codificada do evento
- Localização — Coordenadas ou referência geográfica da área afetada
- Nível de voo — Altitude ou faixa de altitude afetada
- Movimento/Tendência — Direção e velocidade de deslocamento, ou STNR (estacionário)
- Intensidade — INTSF (intensificando), WKN (enfraquecendo) ou NC (sem mudança)
Exemplo de decodificação passo a passo
Considere o seguinte SIGMET real simplificado:
SBBS SIGMET 2 VALID 011200/011600 SBBS- BRASILIA FIR EMBD TS OBS AT 1150Z WI S1200 W04730 - S1430 W04800 - S1500 W04500 - S1200 W04500 - S1200 W04730 TOP FL400 MOV NE 15KT INTSF
Decodificação campo a campo:
| Campo | Valor | Significado |
|---|---|---|
| FIR | SBBS | FIR Brasília |
| Tipo | SIGMET 2 | Segundo SIGMET emitido nesta série |
| Validade | 011200/011600 | Dia 01, das 12:00Z às 16:00Z |
| MWO | SBBS | Emitido pelo MWO de Brasília |
| Fenômeno | EMBD TS | Trovoadas embarcadas (escondidas dentro de camadas de nuvens) |
| Status | OBS AT 1150Z | Observado às 11:50Z |
| Área | WI S12 W047.5... | Dentro do polígono definido pelas coordenadas |
| Topo | TOP FL400 | Topos das células até FL400 (40.000 ft) |
| Movimento | MOV NE 15KT | Movendo para nordeste a 15 nós |
| Intensidade | INTSF | Intensificando |
Códigos de distribuição de CB/TS
A forma como cumulonimbus e trovoadas estão distribuídas na área afetada é indicada por prefixos específicos que alteram significativamente o nível de risco:
| Código | Significado | Implicação operacional |
|---|---|---|
| OBSC TS | Trovoadas obscurecidas | Escondidas por nebulosidade, difícil desvio visual |
| EMBD TS | Trovoadas embarcadas | Dentro de camadas de nuvens, invisíveis ao olho nu |
| FRQ TS | Trovoadas frequentes | Pouca separação entre células, difícil desviar |
| SQL TS | Trovoadas em linha de instabilidade | Linha contínua, impossível atravessar |
| ISOL TS | Trovoadas isoladas | Células separadas, desvio geralmente possível |
Definição: Trovoadas embarcadas (EMBD TS) são aquelas contidas dentro de camadas de nuvens estratiformes, tornando-as invisíveis ao piloto visual. São particularmente perigosas para operações VFR e para aeronaves sem radar meteorológico a bordo.
O que é AIRMET e quando é emitido?
O AIRMET é um aviso meteorológico de nível inferior ao SIGMET, destinado principalmente a alertar operações de aeronaves leves, helicópteros e voos VFR sobre condições que, embora não sejam severas para aviação de linha aérea, representam perigo real para essas categorias de operação.
Fenômenos cobertos pelo AIRMET
| Fenômeno | Código | Critério de emissão |
|---|---|---|
| Turbulência moderada | MOD TURB | Turbulência que causa desconforto e dificuldade de controle em aeronaves leves |
| Formação de gelo moderado | MOD ICE | Acúmulo de gelo que requer ação corretiva |
| Ondas de montanha | MTW | Turbulência associada a relevo, com ou sem nuvens lenticulares |
| Visibilidade reduzida | SFC VIS | Visibilidade de superfície abaixo de 5.000 metros em área extensa |
| Teto baixo | SFC OBSC/OVC | Nuvens BKN ou OVC abaixo de 1.000 ft AGL em área extensa |
| Vento de superfície forte | SFC WIND | Vento sustentado acima de 30 nós em área extensa |
Validade e formato do AIRMET
O AIRMET tem validade máxima de 4 horas, semelhante ao SIGMET WS. Seu formato segue estrutura análoga ao SIGMET, incluindo FIR, período de validade, fenômeno, localização e movimento. A principal diferença está na severidade dos fenômenos reportados: o AIRMET trata de condições moderadas, enquanto o SIGMET trata de condições severas.
No Brasil, a emissão de AIRMET vem ganhando importância à medida que a aviação geral e a operação de drones crescem. Muitos pilotos de aeronaves leves como Cessna 152, Cessna 172 ou aeronaves experimentais não possuem equipamento anti-gelo nem radar meteorológico, tornando o AIRMET uma ferramenta de segurança essencial.
Diferença prática entre SIGMET e AIRMET
A distinção entre SIGMET e AIRMET pode ser resumida assim: se você voa um Boeing 737 ou um Airbus A320, o SIGMET é sua prioridade absoluta, mas o AIRMET provavelmente não vai alterar sua operação. Se você voa um Cessna 172, um Piper Cherokee ou um helicóptero Robinson R44, tanto SIGMET quanto AIRMET merecem atenção igual no seu briefing pré-voo.
Quais são as FIRs brasileiras e seus MWOs?
O espaço aéreo brasileiro está dividido em cinco FIRs (Regiões de Informação de Voo), cada uma com seu próprio MWO responsável pela emissão de SIGMET e AIRMET. Conhecer essa divisão é fundamental para saber quais avisos consultar conforme a rota planejada.
Mapa das FIRs brasileiras
| FIR | Identificador ICAO | MWO responsável | Área de cobertura principal |
|---|---|---|---|
| Amazônica | SBAZ | Manaus | Norte do Brasil (AM, PA, RR, AP) |
| Recife | SBRE | Recife | Nordeste (PE, BA, CE, MA, PI) e oceano Atlântico |
| Brasília | SBBS | Brasília | Centro-Oeste e Sudeste (DF, GO, MG, MS, MT, SP parcial) |
| Curitiba | SBCW | Curitiba | Sul do Brasil (PR, SC, RS) e parte do Sudeste |
| Atlântico | SBAO | Rio de Janeiro | Oceano Atlântico Sul (área oceânica) |
Cada FIR opera 24 horas por dia, 365 dias por ano. Os MWOs monitoram continuamente dados de satélite, radar meteorológico, relatórios de pilotos (PIREP) e modelos numéricos para decidir quando emitir, atualizar ou cancelar um SIGMET ou AIRMET.
Como funciona a emissão nas FIRs
Quando um fenômeno significativo é detectado ou previsto, o meteorologista do MWO prepara o SIGMET ou AIRMET e o dissemina através do sistema de telecomunicações aeronáuticas (AFTN). A mensagem é então disponibilizada no REDEMET, nos sistemas de briefing dos operadores e transmitida via VOLMET e ATIS quando aplicável.
Um voo de SBGR (Guarulhos) para SBRF (Recife) cruza duas FIRs: Brasília (SBBS) e Recife (SBRE). O piloto ou despachante deve consultar os SIGMET e AIRMET vigentes em ambas as FIRs durante o planejamento.
Como SIGMET e AIRMET impactam o planejamento de voo?
A presença de SIGMET ou AIRMET vigente na rota planejada não significa automaticamente que o voo deve ser cancelado. Mas exige análise cuidadosa e, em muitos casos, alterações no planejamento original para garantir a segurança.
Impacto no briefing pré-voo
O briefing pré-voo deve incluir obrigatoriamente a verificação de SIGMET e AIRMET em vigor nas FIRs da rota. Isso está previsto no RBAC 91.103, que exige que o piloto em comando se familiarize com todas as informações disponíveis pertinentes ao voo planejado.
Ações práticas conforme o tipo de aviso
| Aviso | Fenômeno | Ação recomendada |
|---|---|---|
| SIGMET WS — SEV TURB | Turbulência severa | Evitar área; solicitar nível de voo alternativo ao ATC |
| SIGMET WS — SEV ICE | Gelo severo | Evitar; aeronaves sem anti-ice não devem entrar na área |
| SIGMET WS — EMBD TS | CB embarcado | Evitar; usar radar meteorológico se disponível |
| SIGMET WS — SQL TS | Linha de instabilidade | Aguardar passagem ou desviar lateralmente (pode exigir > 50 NM) |
| SIGMET WC | Ciclone tropical | Evitar completamente; margem mínima de 100 NM do centro |
| SIGMET WV | Cinzas vulcânicas | Evitar completamente; tolerância zero para contato com cinzas |
| AIRMET — MOD TURB | Turbulência moderada | Proceder com cautela; avaliar experiência e tipo de aeronave |
| AIRMET — MOD ICE | Gelo moderado | Aeronaves sem anti-ice devem evitar; com anti-ice, monitorar |
| AIRMET — SFC VIS | Visibilidade reduzida | VFR deve reavaliar GO/NO-GO; IFR verifica mínimos |
Quando cancelar ou adiar o voo?
A decisão GO/NO-GO na presença de SIGMET ativo depende de diversos fatores: tipo de aeronave, equipamentos a bordo, experiência do piloto, possibilidade de desvio e alternativas disponíveis. Como regra geral, aeronaves leves sem radar meteorológico e sem equipamento anti-gelo não devem operar em áreas com SIGMET WS ativo para SEV ICE, EMBD TS ou SQL TS.
A avaliação de risco FRAT é uma ferramenta complementar que ajuda a quantificar o risco associado a condições meteorológicas adversas.
Exemplos reais de SIGMET no espaço aéreo brasileiro
O espaço aéreo brasileiro, por sua extensão continental e localização tropical, está frequentemente sujeito a emissão de SIGMET, especialmente nos meses de verão (outubro a março), quando a atividade convectiva é mais intensa.
Exemplo 1: SIGMET de CB embarcado na FIR Brasília
SBBS SIGMET 5 VALID 151800/152200 SBBS- BRASILIA FIR EMBD TS FCST AT 1800Z WI S1500 W04700 - S1800 W04900 - S2000 W04600 - S1700 W04400 - S1500 W04700 TOP FL420 STNR INTSF
Este SIGMET indica trovoadas embarcadas previstas na porção sul da FIR Brasília, com topos até FL420, estacionárias e se intensificando. Essa é uma situação clássica do verão brasileiro, onde células convectivas se formam no período da tarde ao longo da Serra da Mantiqueira e do interior de São Paulo e Minas Gerais.
Impacto operacional: Voos entre SBSP (Congonhas) e SBBH (Belo Horizonte/Pampulha) nesse horário seriam diretamente afetados. Pilotos VFR devem considerar seriamente adiar a partida ou buscar rota alternativa.
Exemplo 2: SIGMET de turbulência severa na FIR Curitiba
SBCW SIGMET 1 VALID 080600/081000 SBCW- CURITIBA FIR SEV TURB OBS AT 0530Z WI S2400 W04900 - S2700 W05100 - S2800 W04800 - S2500 W04700 - S2400 W04900 FL250/FL350 MOV E 25KT NC
Turbulência severa observada entre FL250 e FL350, movendo para leste a 25 nós, sem mudança de intensidade. Esse tipo de SIGMET é comum no inverno quando correntes de jato subtropical passam sobre o sul do Brasil.
Impacto operacional: Aeronaves operando nessa faixa de nível de voo devem solicitar nível alternativo ao ACC Curitiba. Voos entre SBCT (Curitiba) e SBFL (Florianópolis) em cruzeiro acima de FL250 seriam diretamente afetados.
Exemplo 3: Múltiplos SIGMET simultâneos
Em dias de atividade convectiva intensa, é comum haver múltiplos SIGMET simultâneos em uma mesma FIR. Em janeiro de 2025, a FIR Brasília chegou a ter 4 SIGMET ativos simultaneamente, cobrindo áreas distintas com EMBD TS e FRQ TS.
Nessas situações, o piloto precisa plotar todas as áreas afetadas no mapa e avaliar se existe corredor seguro para a rota planejada. Ferramentas digitais como o AeroCopilot facilitam essa visualização, sobrepondo SIGMET vigentes na carta de rota.
Onde consultar SIGMET e AIRMET?
A consulta a SIGMET e AIRMET deve ser feita como parte do briefing pré-voo obrigatório. Existem diversas fontes oficiais e complementares disponíveis para pilotos brasileiros.
Fontes oficiais
| Fonte | URL/Acesso | Tipo de informação |
|---|---|---|
| REDEMET | redemet.decea.mil.br | SIGMET, AIRMET, METAR, TAF, cartas SIGWX |
| Sala AIS | Nos aeródromos | Briefing completo com meteorologista |
| VOLMET | Frequência VHF em rota | SIGMET vigentes por rádio |
| ATIS | Frequência do aeródromo | SIGMET relevantes para TMA |
Fontes complementares
Além das fontes oficiais do DECEA, pilotos podem consultar cartas de tempo significativo (SIGWX Charts) que representam graficamente áreas de turbulência, gelo, CB e jatos. Essas cartas são emitidas pelo WAFC (World Area Forecast Centre) de Washington e Londres e estão disponíveis no REDEMET.
O METAR e o TAF complementam o SIGMET ao fornecer condições locais nos aeródromos de partida, destino e alternativa. Um briefing meteorológico completo sempre inclui os três tipos de informação.
Cartas SIGWX (Significant Weather Charts)
As cartas SIGWX são representações gráficas que mostram áreas de tempo significativo previstas para determinada hora. No Brasil, as cartas mais utilizadas são a carta de baixos níveis (SFC a FL100) e a carta de altos níveis (FL250 a FL630). Elas mostram graficamente o que os SIGMET descrevem em texto codificado, facilitando a visualização espacial dos fenômenos.
Diferenças entre SIGMET, AIRMET, METAR e TAF
Pilotos que estão se familiarizando com produtos meteorológicos aeronáuticos frequentemente confundem os diferentes tipos de mensagem. Cada uma tem finalidade, cobertura e público-alvo distintos.
| Característica | METAR | TAF | SIGMET | AIRMET |
|---|---|---|---|---|
| Tipo | Observação | Previsão | Aviso | Aviso |
| Cobertura | Aeródromo (ponto) | Aeródromo (8 km) | FIR (área) | FIR (área) |
| Validade | 1 hora | 24-30 horas | 4-6 horas | 4 horas |
| Emissão | Horária | 4x ao dia | Quando necessário | Quando necessário |
| Altitude | Superfície | Superfície | Qualquer nível | Principalmente baixos níveis |
| Público | Todos os pilotos | Todos os pilotos | Todos os pilotos | Pilotos de aeronaves leves/VFR |
| Fenômenos | Condições atuais | Previsão local | Severos (área) | Moderados (área) |
Definição: FIR (Flight Information Region) é uma porção do espaço aéreo de dimensões definidas dentro da qual são prestados os serviços de informação de voo e de alerta. No Brasil existem cinco FIRs sob responsabilidade do DECEA.
Como integrar todas as informações no briefing
Um briefing meteorológico completo segue a lógica do funil: começa pela visão ampla (SIGMET/AIRMET para a rota e FIRs envolvidas), passa pela previsão local (TAF dos aeródromos de destino e alternativa) e termina com a condição atual (METAR no momento da decolagem). Essa abordagem garante que o piloto tenha consciência situacional desde a grande escala até a condição pontual.
O briefing pré-voo e a análise das condições VMC/IMC complementam a interpretação dos avisos de tempo significativo para uma decisão operacional fundamentada.
Perguntas frequentes
O que acontece se eu voar dentro de uma área com SIGMET ativo?
Voar dentro de uma área com SIGMET ativo não é proibido por si só, mas o piloto assume total responsabilidade pela segurança da operação. O SIGMET é um aviso informativo, não uma restrição de espaço aéreo. No entanto, se ocorrer um incidente ou acidente, o fato de haver SIGMET vigente será considerado na investigação. Para aeronaves leves sem equipamento anti-gelo e sem radar meteorológico, entrar em área com SIGMET WS de SEV ICE ou EMBD TS é altamente desaconselhável e pode configurar imperícia.
Qual a diferença entre SIGMET e aviso de aerodromo (aerodrome warning)?
O SIGMET cobre fenômenos em área dentro de uma FIR e é destinado a aeronaves em rota. O aviso de aeródromo (aerodrome warning) cobre condições perigosas específicas de um aeródromo e seus arredores, como ventos fortes, trovoadas locais, neve ou gelo na pista. São produtos complementares com escopos diferentes.
O SIGMET substitui o radar meteorológico de bordo?
Não. O SIGMET fornece uma visão macro da situação meteorológica com resolução temporal de horas. O radar meteorológico de bordo fornece informação em tempo real com resolução de milhas náuticas. Pilotos que operam em áreas com SIGMET de CB devem usar o radar de bordo (quando disponível) para desviar das células individuais. O SIGMET indica a área geral de perigo; o radar mostra a posição exata das células.
Com que antecedência posso consultar SIGMET previstos?
SIGMET pode ser emitido com até 4 horas de antecedência do início previsto do fenômeno. Para planejamento com maior antecedência, o piloto deve consultar as cartas SIGWX (Significant Weather Charts) que são emitidas com 12 a 36 horas de antecedência, embora com menor precisão geográfica.
O AIRMET é obrigatório no briefing de voo IFR?
Sim. O RBAC 91.103 exige que o piloto se familiarize com todas as informações meteorológicas disponíveis pertinentes ao voo. Isso inclui SIGMET e AIRMET. Embora o AIRMET seja mais relevante para operações VFR e aeronaves leves, pilotos IFR também devem consultá-lo, especialmente se operarem aeronaves de menor porte em níveis mais baixos.
Existe SIGMET para trovoada isolada?
Não normalmente. Trovoadas isoladas (ISOL TS) geralmente não atingem o critério de emissão de SIGMET, que exige impacto significativo na segurança das operações em uma área extensa. Trovoadas isoladas podem aparecer em TAF como TEMPO TS ou em METAR como TS no campo de fenômenos de tempo presente. O SIGMET é emitido quando as trovoadas são obscurecidas, embarcadas, frequentes ou em linha de instabilidade.
Como diferenciar turbulência leve, moderada e severa?
A classificação de turbulência segue escala padronizada: leve causa variação de velocidade de 5-15 kt e leve desconforto; moderada causa variação de 15-25 kt e dificuldade de manter altitude e velocidade; severa causa variação acima de 25 kt, perda temporária de controle e possibilidade de danos estruturais. O SIGMET cobre turbulência severa; o AIRMET cobre moderada. Turbulência leve não gera aviso.
O piloto pode pedir cancelamento de um SIGMET ao ATC?
Não. O ATC não tem autoridade para cancelar SIGMET, que é emitido pelo MWO. O que o piloto pode fazer é reportar condições diferentes das descritas no SIGMET (PIREP), o que contribui para que o MWO reavalie e eventualmente cancele o aviso. Reportar via PIREP que a área está livre do fenômeno reportado é uma contribuição valiosa para a segurança de outros voos.
Simplifique seu planejamento com o AeroCopilot
O AeroCopilot integra SIGMET e AIRMET vigentes diretamente no seu briefing pré-voo, sobrepondo as áreas afetadas na carta de rota para visualização imediata. A plataforma monitora automaticamente as FIRs da sua rota e destaca avisos relevantes, eliminando a necessidade de consultar múltiplas fontes manualmente. Com decodificação automática e alertas em tempo real, você nunca decola sem saber as condições em rota.
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Fontes: ICAO Annex 3 — Meteorological Service for International Air Navigation; ICA 105-17 — Serviço de Meteorologia Aeronáutica; MCA 105-11 — Manual de Meteorologia Aeronáutica; DECEA/REDEMET; RBAC 91.103.
Última atualização: Fevereiro 2026. Conteúdo revisado por piloto comercial ANAC com habilitação IFR.
