O RBAC 91 (Regulamento Brasileiro de Aviação Civil nº 91) estabelece as regras gerais de operação de aeronaves civis no Brasil. É o regulamento mais importante para pilotos privados, pois define responsabilidades, requisitos de equipamento, mínimos meteorológicos, regras de combustível, altitude e conduta que governam cada voo desde o planejamento até o pouso final. Conhecer profundamente o RBAC 91 é obrigatório para operar legalmente e, mais importante, com segurança.
Neste artigo
- O que é o RBAC 91 e a quem se aplica?
- Quais são as responsabilidades do piloto em comando?
- Quais são os requisitos pré-voo obrigatórios?
- Como funciona a regra de combustível?
- Quais são os mínimos meteorológicos VFR?
- Quais são as regras de altitude de cruzeiro?
- O que o RBAC 91 diz sobre álcool, drogas e fadiga?
- Quais são as regras de manutenção e equipamento?
- Quais as seções mais violadas e suas penalidades?
- Perguntas frequentes
O que é o RBAC 91 e a quem se aplica?
O RBAC 91, intitulado "Regras Gerais de Operação para Aeronaves Civis", é o regulamento da ANAC que estabelece as regras operacionais básicas aplicáveis a toda operação de aeronave civil no espaço aéreo brasileiro. Ele é o equivalente brasileiro do FAR Part 91 norte-americano e aplica-se a pilotos privados, comerciais e de linha aérea quando operando aeronaves fora do escopo dos RBAC 121, 135 e 137.
Definição: O RBAC 91 é o regulamento geral de operação que se aplica a todas as operações de aeronaves civis brasileiras e estrangeiras no espaço aéreo brasileiro, exceto quando regulamentação mais específica (RBAC 121 para transporte aéreo regular, RBAC 135 para táxi aéreo) prevalece.
Para o piloto privado, o RBAC 91 é o regulamento primário que governa toda a sua atividade aérea. Ele define o que o piloto pode e não pode fazer, quais documentos e equipamentos são obrigatórios, como planejar combustível, quando pode voar VFR ou IFR, e quais as consequências de não cumprir essas regras.
Estrutura do RBAC 91
O RBAC 91 está organizado em subpartes que cobrem diferentes aspectos da operação:
| Subparte | Conteúdo | Seções principais |
|---|---|---|
| A | Generalidades | 91.1 a 91.21 — Aplicabilidade e definições |
| B | Regras de voo | 91.101 a 91.187 — Requisitos operacionais gerais |
| C | Equipamentos e instrumentos | 91.201 a 91.225 — Requisitos de equipamento |
| D | Equipamentos especiais | 91.301 a 91.319 — Transponder, ELT, etc. |
| E | Manutenção e inspeção | 91.401 a 91.421 — Requisitos de aeronavegabilidade |
| F | Operações em grande altitudes | 91.501 a 91.511 — Acima de FL410 |
Relação com outros RBACs
O RBAC 91 não opera isoladamente. Ele se relaciona com o RBAC 61 (licenças e habilitações), o RBAC 67 (certificados médicos), o RBAC 23 (aeronavegabilidade) e as regras do DECEA para espaço aéreo. Um piloto que cumpre perfeitamente o RBAC 91 mas viola o RBAC 61 (por exemplo, voando sem a licença válida) ainda está em infração.
Quais são as responsabilidades do piloto em comando?
A seção 91.3 do RBAC 91 é possivelmente a mais importante de todo o regulamento: ela estabelece que o piloto em comando (PIC) é a autoridade final e o responsável direto pela operação segura da aeronave.
Autoridade e responsabilidade (91.3)
O RBAC 91.3 estabelece que:
O PIC é a autoridade final sobre a operação da aeronave — Nenhuma outra pessoa, incluindo controladores de tráfego aéreo, pode obrigar o piloto a tomar uma ação que ele considere insegura.
O PIC pode desviar de qualquer regra em situação de emergência — Em emergência que requeira ação imediata, o PIC pode desviar de qualquer regra do RBAC 91 na extensão necessária para lidar com a emergência.
O PIC deve reportar desvios quando solicitado — Se desviou de uma regra invocando autoridade de emergência, deve apresentar relatório à ANAC quando solicitado.
Familiarização com informações disponíveis (91.103)
A seção 91.103 exige que antes de cada voo, o PIC se familiarize com todas as informações disponíveis pertinentes ao voo planejado. Para voos IFR ou voos que não sejam na vizinhança do aeródromo, isso inclui obrigatoriamente:
- Condições meteorológicas reportadas e previstas
- Requisitos de combustível
- Alternativas disponíveis se o voo não puder ser completado como planejado
- Dados de performance para as condições esperadas (pista, peso, temperatura, altitude)
- Distâncias de decolagem e pouso do POH
Essa seção é a base regulatória que fundamenta a obrigatoriedade do briefing pré-voo. Negligenciar o briefing é violar diretamente o 91.103.
Quais são os requisitos pré-voo obrigatórios?
O RBAC 91 estabelece uma série de verificações e requisitos que devem ser cumpridos antes de cada voo. Esses requisitos existem para garantir que a aeronave, o piloto e as condições sejam adequadas para a operação planejada.
Inspeção pré-voo da aeronave (91.103, 91.7)
O PIC deve determinar que a aeronave está em condição de aeronavegabilidade antes de cada voo (91.7). Isso inclui a inspeção visual pré-voo (walk-around) prevista no checklist do fabricante, verificação de documentos a bordo e confirmação de que as inspeções de manutenção estão em dia.
Documentos obrigatórios a bordo
O acrônimo DAVE ajuda a lembrar os documentos exigidos a bordo:
| Documento | Descrição | Base legal |
|---|---|---|
| Diário de bordo | Registro de horas de voo e manutenção | RBAC 91.417 |
| Aprovação de aeronavegabilidade (CA/CVA) | Certificado de aeronavegabilidade válido | RBAC 91.203 |
| Verificação de seguro (RETA) | Responsabilidade civil obrigatória | Lei 7.565 |
| Estação (licença) | Licença de estação de aeronave (ANATEL) | Regulamentação ANATEL |
Além desses, o piloto deve portar sua licença de piloto válida, certificado médico aeronáutico (CMA) dentro da validade e habilitações pertinentes. Mais detalhes sobre o CMA estão no artigo sobre certificado médico aeronáutico.
Plano de voo
O RBAC 91 exige a apresentação de plano de voo para operações IFR e para cruzar fronteiras. Para voos VFR domésticos, a exigência de plano de voo é determinada pelas regras do DECEA conforme o tipo de espaço aéreo. O artigo sobre planejamento de voo VFR detalha quando o plano de voo é obrigatório.
Como funciona a regra de combustível?
As seções 91.151 (VFR) e 91.167 (IFR) do RBAC 91 estabelecem os requisitos mínimos de combustível que devem ser atendidos antes de iniciar um voo. Essas regras são absolutas e não admitem exceção.
Combustível VFR (91.151)
Para voos VFR, nenhum piloto pode iniciar um voo a menos que, considerando vento e condições meteorológicas previstas, tenha combustível suficiente para:
- Voar até o aeródromo de destino
- E, após, voar por no mínimo 30 minutos à velocidade normal de cruzeiro (diurno)
- Ou 45 minutos para voos VFR noturnos
Combustível IFR (91.167)
Para voos IFR, nenhum piloto pode iniciar um voo a menos que tenha combustível suficiente para:
- Voar até o aeródromo de destino
- Voar do destino até o aeródromo de alternativa (quando alternativa for requerida)
- E, após, voar por no mínimo 45 minutos à velocidade normal de cruzeiro
Definição: Reserva final é a quantidade mínima de combustível que deve permanecer nos tanques após completar todas as fases planejadas do voo, incluindo desvio para alternativa. Para VFR diurno é 30 minutos, para VFR noturno e IFR é 45 minutos à velocidade de cruzeiro.
Comparação de requisitos de combustível
| Tipo de voo | Reserva mínima | Alternativa | Contingência | Base legal |
|---|---|---|---|---|
| VFR diurno | 30 minutos | Não obrigatória | Recomendada | 91.151 |
| VFR noturno | 45 minutos | Recomendada | Recomendada | 91.151 |
| IFR | 45 minutos | Obrigatória (exceções) | 5% trip fuel | 91.167 |
O artigo sobre combustível de reserva detalha o cálculo completo de cada parcela conforme a fórmula ICAO.
Quando a alternativa IFR é obrigatória?
A alternativa IFR pode ser dispensada quando as condições meteorológicas no destino, desde 1 hora antes até 1 hora depois do horário estimado de chegada, indicam teto de pelo menos 2.000 ft acima da altitude mínima de aproximação e visibilidade de pelo menos 5 km (3 SM). Caso contrário, o piloto deve planejar combustível para o alternado.
Quais são os mínimos meteorológicos VFR?
O RBAC 91 define os mínimos meteorológicos que devem ser atendidos para operação VFR, variando conforme a classe de espaço aéreo e a altitude de operação.
Mínimos VFR por classe de espaço aéreo
| Classe | Altitude | Visibilidade mínima | Distância de nuvens |
|---|---|---|---|
| A | Não permitido VFR | — | — |
| B | Qualquer | 5 km | Livre de nuvens (clear of clouds) |
| C | Qualquer | 5 km | 1.500 m horizontal, 300 m (1.000 ft) vertical |
| D | Qualquer | 5 km | 1.500 m horizontal, 300 m (1.000 ft) vertical |
| E | Acima de 3.050 m (10.000 ft) | 8 km | 1.500 m horizontal, 300 m (1.000 ft) vertical |
| E | Até 3.050 m (10.000 ft) | 5 km | 1.500 m horizontal, 300 m (1.000 ft) vertical |
| G | Acima de 900 m AGL (dia) | 5 km | 1.500 m horizontal, 300 m vertical |
| G | Até 900 m AGL (dia) | 3 km (2 km para helicópteros) | Livre de nuvens, avistando solo |
O artigo sobre espaço aéreo brasileiro detalha as classes e suas regras específicas.
VFR especial
Quando as condições estão abaixo dos mínimos VFR normais mas acima dos mínimos VFR especial, o piloto pode solicitar autorização VFR especial ao ATC em determinados aeródromos. As condições mínimas para VFR especial são visibilidade de 1.500 metros e livre de nuvens, mantendo referência visual com o solo. O VFR especial é limitado à zona de controle (CTR) e requer autorização ATC explícita.
Teto VFR
O teto mínimo para operação VFR regular é de 1.500 ft AGL em espaço aéreo controlado. Abaixo disso, somente VFR especial com autorização. O piloto deve diferenciar entre condições VMC e IMC e tomar a decisão GO/NO-GO baseada nos mínimos aplicáveis ao espaço aéreo da rota.
Quais são as regras de altitude de cruzeiro?
O RBAC 91 estabelece regras de altitude mínima e regras de nível de cruzeiro que organizam o tráfego aéreo e previnem colisões.
Altitudes mínimas (91.119)
O RBAC 91.119 proíbe operar uma aeronave abaixo de certas altitudes mínimas, exceto durante decolagem e pouso:
| Situação | Altitude mínima |
|---|---|
| Em qualquer lugar | Altitude que permita pouso seguro em caso de pane |
| Sobre áreas congestionadas | 1.000 ft acima do obstáculo mais alto em 600 m |
| Sobre áreas não congestionadas | 500 ft acima do solo ou água |
| Sobre áreas esparsamente povoadas | 500 ft de qualquer pessoa, embarcação ou estrutura |
Regra semicircular (91.159)
Para voos VFR em rota acima de 3.000 ft AGL, o RBAC 91 adota a regra semicircular que determina a altitude de cruzeiro conforme a proa magnética:
| Proa magnética | Altitude VFR | Nível de voo IFR |
|---|---|---|
| 000° a 179° | Ímpar em milhares + 500 ft (ex: 3.500, 5.500, 7.500) | Ímpar em milhares (FL030, FL050, FL070) |
| 180° a 359° | Par em milhares + 500 ft (ex: 4.500, 6.500, 8.500) | Par em milhares (FL040, FL060, FL080) |
O artigo sobre regra semicircular explica em detalhes a lógica dessa regra e suas exceções no espaço aéreo brasileiro.
Altitude de transição e nível de transição
No Brasil, a altitude de transição padrão é 14.000 ft (exceto em áreas específicas onde pode ser diferente). Abaixo da altitude de transição, o piloto voa em altitude (com QNH ajustado). Acima do nível de transição, voa em nível de voo (com altímetro em 1013 hPa).
Regras de prioridade e direito de passagem (91.113)
O RBAC 91.113 estabelece regras claras de prioridade quando duas aeronaves se aproximam:
| Situação | Regra de prioridade |
|---|---|
| Aeronaves convergindo | A que vier pela direita tem prioridade |
| Ultrapassagem | A aeronave que ultrapassa deve passar pela direita |
| Rotas opostas | Ambas desviam para a direita |
| Pouso | Aeronave em aproximação final tem prioridade sobre aeronave no solo |
| Dois pousando | A mais baixa tem prioridade, mas não pode cortar a frente |
| Emergência | Aeronave em emergência tem prioridade absoluta sobre todas |
| Balões | Prioridade sobre todas as categorias (menos manobrável) |
| Planadores | Prioridade sobre aviões e helicópteros |
| Aeronave rebocando | Prioridade sobre aviões e helicópteros normais |
Essas regras aplicam-se tanto em espaço aéreo controlado quanto não controlado, e o piloto deve manter vigilância visual constante (see and avoid) independentemente do serviço de tráfego aéreo disponível.
O que o RBAC 91 diz sobre álcool, drogas e fadiga?
As regras sobre substâncias e condição física do piloto são algumas das mais rigorosas do RBAC 91 e sua violação pode resultar em suspensão ou cassação da licença.
Regra das 8 horas (91.17)
O RBAC 91.17 proíbe que qualquer pessoa atue como tripulante de aeronave civil nas seguintes condições:
- Dentro de 8 horas após consumo de bebida alcoólica — A regra das "8 hours bottle to throttle" é conhecida internacionalmente
- Sob influência de álcool — Mesmo após 8 horas, se ainda estiver sob efeito
- Com concentração de álcool no sangue igual ou superior a 0,04% — Metade do limite para motoristas
- Sob efeito de qualquer droga que afete a capacidade — Inclui medicamentos de venda livre que causem sonolência
Fadiga e aptidão para voar
Embora o RBAC 91 não estabeleça um limite específico de horas de serviço para pilotos privados (diferente do RBAC 121 para transporte aéreo), a seção 91.17 inclui a proibição de voar "sob influência de qualquer condição que afete adversamente a segurança". Isso abrange fadiga, estresse emocional, doença e uso de medicamentos.
O acrônimo IMSAFE é uma ferramenta de autoavaliação recomendada:
| Letra | Fator | Pergunta |
|---|---|---|
| I | Illness (doença) | Estou doente ou com algum sintoma? |
| M | Medication (medicação) | Tomei algum medicamento? |
| S | Stress (estresse) | Estou sob estresse emocional? |
| A | Alcohol (álcool) | Consumi álcool nas últimas 8+ horas? |
| F | Fatigue (fadiga) | Estou descansado e alerta? |
| E | Eating (alimentação) | Estou bem alimentado e hidratado? |
Quais são as regras de manutenção e equipamento?
O RBAC 91 estabelece requisitos mínimos de equipamento e manutenção que devem ser atendidos para que a aeronave seja considerada em condição de aeronavegabilidade.
Inspeções obrigatórias
| Inspeção | Intervalo | Requisito | Base legal |
|---|---|---|---|
| Inspeção anual | 12 meses | Obrigatória para todas | 91.409 |
| Inspeção de 100 horas | 100 horas | Obrigatória para aeronaves de instrução e aluguel | 91.409 |
| Inspeção progressiva | Conforme programa | Alternativa à anual, aprovada pela ANAC | 91.409 |
| AD (Diretiva de Aeronavegabilidade) | Conforme publicação | Obrigatória, prazo definido na AD | 91.403 |
| ELT | 12 meses | Inspeção do transmissor de emergência | 91.311 |
| Transponder | 24 meses | Verificação de funcionamento | 91.313 |
| Altímetro e sistema estático | 24 meses | Para operação IFR | 91.313 |
Equipamentos mínimos VFR dia
Para voo VFR diurno, o RBAC 91 exige no mínimo:
- Velocímetro (ASI)
- Altímetro (com ajuste barométrico)
- Bússola magnética
- Tacômetro (para cada motor)
- Indicador de pressão de óleo (para cada motor)
- Indicador de temperatura (para motores refrigerados a líquido)
- Indicador de combustível para cada tanque
- ELT (Transmissor Localizador de Emergência)
- Cintos de segurança para cada ocupante
Equipamentos adicionais para IFR
Para operação IFR, além dos equipamentos VFR, são necessários:
- Horizonte artificial (indicador de atitude)
- Giro direcional (heading indicator)
- Climb indicator (indicador de subida/descida)
- Relógio com ponteiro de segundos
- Rádio navegação adequada para a rota
- Gerador ou alternador
- Luzes adequadas para leitura de instrumentos e cartas
Quais as seções mais violadas e suas penalidades?
A ANAC acompanha sistematicamente as infrações ao RBAC 91 e publica estatísticas que revelam padrões recorrentes de não conformidade entre pilotos brasileiros.
Top 10 infrações mais comuns
| Posição | Seção | Infração | Penalidade típica |
|---|---|---|---|
| 1 | 91.103 | Falha no briefing pré-voo | Advertência a multa |
| 2 | 91.151/91.167 | Combustível insuficiente | Multa a suspensão |
| 3 | 91.119 | Voo abaixo da altitude mínima | Suspensão 30-90 dias |
| 4 | 91.17 | Operação sob influência de álcool | Suspensão a cassação |
| 5 | 91.203 | Documentos de aeronave ausentes | Multa |
| 6 | 91.409 | Inspeções vencidas | Suspensão da aeronave + multa |
| 7 | 91.13 | Operação negligente ou imprudente | Suspensão 60-180 dias |
| 8 | 91.159 | Altitude incorreta (regra semicircular) | Advertência a multa |
| 9 | 91.111 | Proximidade perigosa (near miss) | Suspensão |
| 10 | 91.7 | Aeronave em condição não aeronavegável | Multa a suspensão |
Tipos de penalidades
A ANAC pode aplicar quatro tipos de sanção por violação ao RBAC 91:
- Advertência — Para infrações leves e primeira ocorrência
- Multa — Valores variam de centenas a dezenas de milhares de reais
- Suspensão — Da licença ou habilitação, por período de 30 a 180 dias
- Cassação — Da licença, em casos extremos (exige novo processo de certificação)
O artigo sobre erros comuns no planejamento de voo complementa esta seção ao identificar padrões de erro que frequentemente resultam em violações regulatórias.
Autorizações ATC e desvios de rota
O RBAC 91 define como o piloto deve lidar com autorizações ATC e quando pode ou deve desviar do que foi autorizado.
Cumprimento de autorizações (91.123)
A seção 91.123 exige que nenhum piloto desvie de uma autorização ATC exceto em emergência (invocando 91.3) ou quando uma emenda à autorização é obtida. Se o piloto receber uma autorização que considere inadequada, a ação correta é solicitar emenda (amended clearance), não simplesmente ignorar a instrução.
Quando ocorre falha de comunicação em condições IFR, o RBAC 91 define um procedimento específico: o piloto deve ajustar o transponder em 7600, seguir a última rota e altitude autorizadas (ou a mínima em rota, a que for maior), e prosseguir até o destino conforme o plano de voo.
Operação em áreas proibidas e restritas
O RBAC 91 proíbe a operação em áreas proibidas (P) e em áreas restritas (R) quando ativas, exceto com autorização específica do órgão responsável. Áreas de perigo (D) não possuem restrição legal, mas representam risco e devem ser evitadas quando possível.
| Tipo de área | Designação | Restrição | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Proibida | SBP-xxx | Voo proibido permanentemente | SBP-01 (Brasília, palácio) |
| Restrita | SBR-xxx | Proibido quando ativa, permitido quando inativa | SBR-xx (áreas militares) |
| Perigo | SBD-xxx | Sem restrição legal, mas risco presente | SBD-xx (tiro ao ar) |
| Condicionada | TMA/CTR | Requer autorização ATC | TMA São Paulo |
Perguntas frequentes
O RBAC 91 se aplica a aviação experimental?
Sim, com modificações. Aeronaves experimentais são regidas pelo RBAC 91 em termos de regras de operação, mas os requisitos de aeronavegabilidade e manutenção seguem regulamentação específica para experimentais. Os pilotos de experimentais devem cumprir todas as regras de voo (altitude, combustível, VFR/IFR mínimos, álcool) do RBAC 91 normalmente.
Posso voar IFR com habilitação VFR em emergência?
Sim, invocando o 91.3. Em situação de emergência (por exemplo, condições meteorológicas deterioraram para IMC durante voo VFR), o PIC tem autoridade para desviar de qualquer regra, incluindo voar IFR sem habilitação. No entanto, deverá reportar o desvio à ANAC quando solicitado. A melhor prática é declarar emergência ao ATC e solicitar vetores para condições VMC ou para um procedimento IFR assistido.
O piloto pode recusar uma instrução do ATC?
Sim, quando considerar que a instrução compromete a segurança. O 91.3 estabelece o PIC como autoridade final. Se o ATC instruir uma altitude que o piloto sabe que está abaixo da altitude mínima de segurança, ou um vetor que direciona para uma célula de tempestade, o piloto deve comunicar que não pode cumprir e informar o motivo. Isso não é insubordinação, é exercício da autoridade conferida pelo RBAC 91.
A regra de 8 horas para álcool é suficiente?
A regra de 8 horas é o mínimo legal, mas não é necessariamente suficiente. Pesquisas médicas mostram que os efeitos do álcool na cognição e coordenação podem persistir por 24 horas ou mais, dependendo da quantidade ingerida. Muitos pilotos e organizações de segurança recomendam um intervalo mínimo de 12 a 24 horas entre "a última gota e a decolagem". A FAA e a ANAC recomendam "8 hours, bottle to throttle" como mínimo, não como objetivo.
Preciso fazer plano de voo para todo voo VFR?
Não para todo voo. O plano de voo é obrigatório para voos IFR e para voos internacionais. Para voos VFR domésticos, a exigência depende do tipo de espaço aéreo e da distância. Voos VFR dentro de uma ATZ (zona de tráfego de aeródromo) geralmente não exigem plano de voo. Voos VFR em rota que cruzam espaço aéreo controlado exigem. Consulte o AIP Brasil e a ICA 100-12 para os requisitos específicos.
O que é o conceito de "operação negligente" (91.13)?
A seção 91.13 é uma "regra guarda-chuva" que proíbe operar aeronave de forma negligente ou imprudente de maneira a colocar em risco a vida ou a propriedade de outrem. Ela é usada pela ANAC quando uma ação claramente perigosa não se enquadra em nenhuma outra seção específica. Exemplos incluem acrobacias não autorizadas sobre áreas povoadas, baixas passagens sem autorização e formação com aeronaves não certificadas para tal.
Posso voar VFR à noite com licença de piloto privado?
Sim, desde que sua licença e habilitações permitam e a aeronave esteja equipada para voo noturno. O RBAC 91 exige equipamento adicional para voo noturno (luzes de navegação, anticollision, luzes de pouso, iluminação de instrumentos). A reserva de combustível para VFR noturno é de 45 minutos, igual à IFR, em vez dos 30 minutos do VFR diurno. O piloto deve ter a proficiência e recência necessárias conforme o RBAC 61.
Qual a diferença entre RBAC 91 e RBAC 135?
O RBAC 91 governa operações gerais (privadas, instrução, trabalho aéreo). O RBAC 135 governa operações de táxi aéreo e transporte aéreo não regular. A principal diferença é que o RBAC 135 impõe requisitos adicionais mais rigorosos em termos de manutenção, treinamento de tripulação, limites de horas de serviço e programas de segurança. Uma aeronave pode operar sob RBAC 91 em um voo e sob RBAC 135 no seguinte, dependendo da natureza da operação.
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Fontes: RBAC 91 — Regras Gerais de Operação para Aeronaves Civis (ANAC); RBAC 61 — Licenças, Habilitações e Certificados para Pilotos; ICA 100-12 — Regras do Ar (DECEA); ICAO Annex 2 — Rules of the Air.
Última atualização: Fevereiro 2026. Conteúdo revisado por piloto comercial ANAC com habilitação IFR.
